07/05/2019 12:44:00

Associação Alto Celeste já tem 128 agricultores familiares com CCU

Autor: Tribuna Livre (06.05.2019)

Mais uma grande remessa do documento também chamado de “Título Provisório”, foi entregue a assentados do Projeto Jonas Pinheiro II, de onde faz parte a comunidade Alto Celeste, nome da associação que tem feito este trabalho. O vereador Odimar Gehlen (DEM), falou sobre o assunto na tribuna livre de segunda-feira (06.05), e se emocionou novamente ao lembrar das dificuldades.

A entrega foi feita na manhã do sábado 27 de abril, onde mais 74 CCUs foram entregues. Com isso já são 128 famílias com o documento e que podem produzir sabendo que poderão vender seus produtos, além de poder conseguir financiamentos para trabalhar a terra, mas acima de tudo, também tendo a certeza de que a luta de cerca de 16 anos não foi em vão.

Odimar disse que ninguém consegue nada sozinho, por isso agradeceu sem distinção todos os presidentes do assentamento desde 2004, ainda fez referência ao superintendente do INCRA, Carlos Eduardo “Xirú”, que não mediu esforços para ajudar aquelas famílias. Além também de destacar o Ricardo que fez diversas vezes as vistorias, o Evilásio e, ao ouvidor agrário Marco Antônio que foi o responsável pela retificação da portaria de assentamento.

Ainda teceu agradecimento ao secretário da SEAF, Silvano Amaral que quando deputado estadual ajudou muito no andamento dos processos se colocando e colocando sua assessoria à disposição da Associação Alto Celeste.

Renato Parra utilizou uma parte para elogiar o vereador Odimar.
“Já disse isso e repito; se fosse eu diante de tantas dificuldades, já teria desistido, pois só quem está perto de você, te acompanhando sabe do seu trabalho”, afirmou acrescentando “no INCRA ele tem as portas abertas porque trata bem todas as pessoas e por isso todos trabalham para ajudá-lo. Esses CCUs vieram porque ele trabalha e não mede esforços”, concluiu.

Já emocionado Odimar lembrou que em 2013 quando assumiu a presidência o que existia era apenas uma liminar de reintegração de posse e muitos assentados já haviam desistido. Junto a isso lembra que os vereadores à época deram apoio a ele assim como o prefeito Nilso Vígolo.

Recordou-se de uma audiência em que cada vez que ele abria a boca pra falar, um promotor levantava e vinha apontar o dedo para sua cara, chegou a sair da reunião com febre e dor de barriga, tamanha a dificuldade em conseguir manter-se na terra.  “Cheguei de volta no assentamento e disse que não queria mais ser presidente da associação porque não queria ser preso pela Polícia Federal”, relatou Gehlen.

Neste episódio, fez questão de destacar que o único a lhe defender foi Vilmar Scherer, na época presidente da Câmara de Vereadores. “O único a me defender foi o companheiro Scherer, que se levantou duas vezes da cadeira para usar a palavra e defender os assentados”, agradeceu ele.

Em 2013 o assentamento tinha apenas 70 famílias e hoje são 252, isso segundo ele é motivo de orgulho e satisfação por um esforço que muitas vezes acabou o distanciando de sua família.

“Acredito muito em Deus, sei que a família é a base de tudo, mas nesses anos eu não consegui cuidar dos meus filhos da maneira correta, além de não dar a atenção merecida por minha esposa, chegando em certo momento até a quase acabar meu casamento. Meus filhos diziam; ‘pai o senhor não tem tempo para nós, só tem tempo pra este assentamento e para as pessoas’, isso me dói muito pois fiz pelo coletivo mas paguei um alto preço com minha família, e por isso hoje quero pedir desculpas para eles”, disse o democrata.

Para ele a conquista do assentamento é uma conquista para todo município, pois é o crescimento da agricultura familiar, de pequenos produtores que produzem, agregam e  gastam seu dinheiro na própria cidade e são estas pessoas que fazem movimentar a economia interna pois os grandes produtores acabam não gastando na cidade porque têm condição de ir para lugares maiores.

“Precisamos sim dos grandes produtores do agro, mas em todo mundo os municípios pequenos que não tiverem uma agricultura familiar forte não conseguem se desenvolver. O que precisamos agora é de incentivos e ajuda com projetos e por isso foram convidados os prefeitos de Vera e Sorriso, pois o assentamento fica na divisa dessas cidades”, explicou ele.

Uma das suas apostas é a cooperativa CooperCeleste, montada e em plena condição de funcionamento, que abrange os dois assentamentos de Vera e pode ter o mesmo sucesso da CooperNova, cooperativa de terra Nova do Norte que começou igual e hoje fatura R$10 milhões por mês em produtos de seus associados que inclusive são de todo Estado.

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